O mercado de carbono cresce rapidamente no mundo todo. Ainda assim, a distinção entre mercado regulado e mercado voluntário continua gerando dúvidas em muitas empresas.
Entender essa diferença é mais do que uma questão técnica. É o que permite tomar decisões mais estratégicas, seja para atender exigências legais, seja para antecipar movimentos e capturar oportunidades.
De forma geral, estamos falando de dois ambientes distintos: um orientado por regras e obrigações, outro guiado por decisão e posicionamento.
.

.
O mercado regulado (compliance)
O mercado regulado surge a partir de políticas públicas que estabelecem limites obrigatórios de emissão para determinados setores.
Na prática, funciona assim: o governo define um teto de emissões. Empresas que ultrapassam esse limite precisam comprar permissões ou créditos de quem ficou abaixo. Esse modelo é conhecido como cap and trade, sendo este, inclusive, o modelo mais adotado no mundo quando se fala de mercado regulado.
É um sistema voltado, principalmente, para setores com grande intensidade de emissões, como o setor de energia, setor elétrico, cimento, siderúrgia e aviação.
Alguns exemplos relevantes:
- União Europeia, com o EU ETS, hoje o sistema mais consolidado globalmente
- China, com foco inicial no setor de energia, sendo o maior do mundo em transações.
- Califórnia, que se tornou referência em regulação em nível regional
.
.
O mercado voluntário
No mercado voluntário, não há imposição legal. A decisão de compensar emissões parte da própria empresa.
Aqui, os créditos são adquiridos para neutralizar a pegada de carbono, geralmente como parte de metas de ESG, posicionamento de marca ou acesso a determinados mercados.
Podem participar empresas de qualquer porte ou setor, desde que exista interesse em estruturar uma agenda de descarbonização.
Os créditos vêm de projetos que evitam ou removem emissões, como conservação florestal, energia limpa e soluções tecnológicas.
Principais diferenças na prática
Embora os dois mercados compartilhem a mesma lógica ambiental, a forma de operação é diferente:
- Motivação: no regulado é cumprimento de lei; no voluntário, é decisão estratégica
- Precificação: no regulado tende a seguir regras governamentais ou leilões, já no voluntário, responde à oferta e demanda
- Escopo: o regulado se limita a setores definidos; o voluntário é aberto
- Regras: o regulado segue normas locais; o voluntário utiliza padrões internacionais, como Lux Carbon Standard, Verra e Gold Standard
.
.

.
O cenário brasileiro e o momento de antecipação
O Brasil avança na estruturação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, o SBCE. A expectativa é trazer mais previsibilidade e integrar projetos de alta qualidade ao ambiente regulado. Nesse contexto, surge uma oportunidade relevante.
Há uma tendência de que créditos adquiridos hoje no mercado voluntário possam, no futuro, ser considerados dentro de metas reguladas. Embora isso ainda dependa de definições formais, o movimento já é observado em publicações da Secretaria Especial do Mercado de Carbono brasileiro, responsável pela implementação do SBCE.
Entrar agora no mercado voluntário não é apenas uma ação de posicionamento. Pode ser também uma forma de se preparar para exigências futuras com maior controle de custo e mais flexibilidade.
Sustentabilidade como decisão de negócio
A transição para uma economia de baixo carbono já está em curso. A diferença está em como cada empresa escolhe se posicionar.
Esperar a obrigatoriedade tende a aumentar custos e reduzir margem de manobra. Antecipar, por outro lado, permite estruturar a estratégia com mais consistência.
A 369 Ecocredits Solutions atua nesse cenário conectando empresas a projetos com alto padrão de integridade, apoiando decisões que combinam impacto ambiental e visão de longo prazo.