O mercado voluntário está mais exigente. E isso está valorizando os melhores projetos.

Relatórios recentes da Sylvera, da MSCI e do Banco Mundial mostram que o mercado continua ativo. A diferença é que os compradores passaram a valorizar cada vez mais ativos climáticos de alta integridade.

Durante muito tempo, o mercado voluntário de carbono foi analisado quase exclusivamente por um indicador: o número de créditos negociados.

Quando os volumes diminuíram, concluía-se que o mercado estava em crise. Quando aumentavam, entendia-se que a demanda havia se fortalecido.

Os dados de estudos mais recentes mostram que essa máxima já não é suficiente para explicar o comportamento do mercado.

As análises publicadas pela Sylvera, pela MSCI e pelo Banco Mundial revelam que o mercado voluntário está passando por uma transformação mais profunda. O interesse pelos créditos de carbono permanece elevado, mas compradores e investidores tornaram-se muito mais criteriosos na escolha dos ativos que compõem suas estratégias climáticas.

Além da natural compensação de carbono, o mercado passou a comprar confiança.


O mercado continua ativo. Mas o capital está migrando para ativos de maior qualidade.

Os números apresentados pela Sylvera, no relatório Carbon Data Snapshot Q2 2026, ilustram bem essa mudança.

Embora o volume de créditos aposentados no segundo trimestre dos últimos quatro anos tenha permanecido relativamente estável, o valor financeiro movimentado pelo mercado apresentou crescimento contínuo, conforme pode ser visto na Figura 01:

Figura 1: Evolução do Mercado de Voluntário – Q2/23 a Q2/2026.

O dado mais expressivo identificado, está no preço médio dos créditos no período.

Entre o segundo trimestre de 2023 e o mesmo período de 2026, o valor médio passou de US$ 4,31 para US$ 6,41 por crédito, uma valorização próxima de 49%.

Ao mesmo tempo, o valor financeiro do mercado spot cresceu de aproximadamente US$ 170 milhões para mais de US$ 350 milhões, praticamente dobrando em três anos.

Outro indicador relevante apresentado pela Sylvera demonstra a rápida evolução dos padrões de qualidade no mercado. Segundo o relatório, créditos com acreditação nos Core Carbon Principles – CCP, do Integrity Council for the Voluntary Carbon Market – ICVCM, representavam menos de 3% das novas emissões em 2023. No segundo trimestre de 2026, essa participação alcançou 27,5% das novas emissões de créditos, evidenciando uma migração consistente da oferta para padrões mais elevados de integridade.

A conclusão é clara.

O mercado continua utilizando créditos de carbono, mas está disposto a pagar mais por aqueles que oferecem maior segurança técnica e ambiental.


Os compradores passaram a olhar muito além do carbono.

Essa mudança também aparece de forma consistente no relatório Voluntary Carbon Market in Review Q2 2026, publicado pela MSCI.

Segundo a instituição, o mercado entrou em uma fase de maior sofisticação.

Os processos de due diligence tornaram-se significativamente mais rigorosos e aspectos como governança, rastreabilidade, qualidade metodológica, transparência, segurança jurídica e robustez dos sistemas de Monitoramento, Reporte e Verificação passaram a exercer influência direta sobre a decisão de compra.

Na prática, compradores deixaram de avaliar apenas quantas toneladas de dióxido de carbono um projeto representa.

Hoje, também querem entender como aquele crédito foi gerado, quais metodologias foram utilizadas, como ocorre o monitoramento, quem realiza as auditorias independentes e quais mecanismos existem para reduzir riscos técnicos e jurídicos.

Essa evolução demonstra que o mercado deixou de comprar apenas carbono, passou a comprar credibilidade.


O Banco Mundial identifica a mesma tendência

O relatório State and Trends of Carbon Pricing 2026, publicado pelo Banco Mundial, reforça esse diagnóstico sob outra perspectiva.

Segundo o estudo, atualmente existem 80 instrumentos de precificação de carbono em operação no mundo, entre impostos sobre carbono e sistemas de comércio de emissões, cobrindo aproximadamente 28% das emissões globais de gases de efeito estufa.

O relatório também destaca o crescimento da integração entre mercados regulados e voluntários e aponta que créditos de alta integridade poderão desempenhar um papel cada vez mais relevante no financiamento de soluções baseadas na natureza e em outras tecnologias de mitigação climática.

Outro aspecto importante é que o Banco Mundial reconhece que mercados voluntários robustos podem contribuir para ampliar o fluxo de capital privado destinado à conservação florestal, especialmente em países com elevada disponibilidade de ativos naturais.

Mais uma vez, a mensagem converge com as análises da Sylvera e da MSCI.

O futuro do mercado dependerá menos da quantidade de créditos disponíveis e muito mais da confiança que esses ativos conseguem transmitir.


Uma oportunidade para projetos robustos

Esse novo cenário representa uma mudança importante para projetos de conservação florestal desenvolvidos em áreas privadas, a partir de metodologias e certificações que atendem os mais altos níveis de integridade disponíveis.

Durante muitos anos, diferentes projetos foram avaliados de forma praticamente uniforme, independentemente de suas características técnicas.

À medida que compradores aprofundam seus processos de avaliação, ativos capazes de demonstrar adicionalidade, segurança jurídica, monitoramento contínuo, auditorias independentes, rastreabilidade e benefícios ambientais mensuráveis passam a ocupar uma posição diferenciada.

Neste quesito, destacamos um dos pontos indicados pelo Banco Mundial e MSCI, a segurança fundiária. Nos últimos anos temos visto projetos de geração de créditos florestais, serem suspensos por irregularidades relacionadas ao uso da terra, e por quem a está utilizando para a geração destes créditos.

Para suprimir este tipo de inconsistência, novas metodologias e padrões de certificação, como a da Lux Carbon Standard – LuxCS, têm surgido no mercado voluntário. Neste standard, por exemplo, o projeto de certificação não avança, enquanto restarem dúvidas sobre a propriedade da área onde o projeto será elaborado. Além disso, quem faz a confirmação de que os dados apresentados pelo desenvolvedor são verídicos, é uma auditoria de terceira parte. E é isto que o mercado voluntário precisa.

Concluímos com isso que projetos de alta integridade deixam de competir apenas pelo preço, passam a competir pela confiança que conseguem construir junto ao mercado.


A visão da 369 EcoCredits.

Na 369 EcoCredits, entendemos que essa transformação confirma uma tendência que acompanhamos há bastante tempo.

Nosso foco sempre esteve na estruturação e comercialização de ativos climáticos capazes de atender às exigências de um mercado em constante evolução, e não, seguir apenas um padrão do que já vinha sendo executado.

Por isso, nosso portfólio reúne projetos de conservação florestal de alta integridade nos biomas Amazônia e Mata Atlântica, além de créditos associados à geração de energia renovável, priorizando critérios como rastreabilidade, segurança jurídica, consistência metodológica e visão de longo prazo.

Os relatórios publicados pela Sylvera, pela MSCI e pelo Banco Mundial deixam uma mensagem bastante clara.

O mercado voluntário não está encolhendo.

Está amadurecendo.

E, em mercados maduros, ativos de alta qualidade deixam de ser um diferencial para se tornarem a principal condição para geração de valor.

Compartilhe esta publicação

Mais visualizados

O futuro do mercado de carbono será definido pela integridade. A nova SBTi 2.0 mostra por quê.

Durante muitos anos, a principal pergunta feita por empresas interessadas em créditos de carbono era

O mercado não está ficando sem créditos de carbono. Está ficando sem confiança.

Compradores globais começam a priorizar integridade, rastreabilidade e qualidade dos ativos climáticos, impulsionando contratos

A CVM flexibilizou os requisitos para relatórios climáticos. Mas o mercado global continua avançando.

A divulgação de informações climáticas está se tornando uma vantagem competitiva, em vez de uma